gabriel kolyniak

GABRIEL KOLYNIAK

RESINA

Uma esfera desperta,
um antro, um mínimo
escuro para guardar –

– não deixaria ou levaria
longe demais para o poço
a queima e a destilação.

Desperta, esfera,
toma café e rega,
manhã nua,

as plantas que modelam
o traço da ambígua trajetória.

És maior desde que somes,
metade armada,
deszmáyor, ez a derék,
desmaio a língua,

retorno
começa o dia.

A engrenagem não desespera
morte não se levanta,
a negação não se revela.
Em sua terra, a sombra
se consagra, desfeita em temporal.

Matrevium derrecto sódropo sopo
ecto soporis matrevium ecto
derrecto ópdria exto optum
ecto soporis celo menejo erra manecto

manecta – que trago longe de mim?
Em toda parte, os queimados se desejam.
Vê as têmporas, marcadas.

Vermelho um planeta ergueu-se
entre as sete terras.

No deserto começa o dia.
Nossa terra se levanta.

A morte inteira é minha irmã,
o amor se fez em seus 

 

RESIN

A sphere awakes,
a cove, a dark
minimum to keep –

– wouldn’t leave or take
far away to the pit
the burning and the distilling.

Awake, the sphere,
has breakfast and waters,
naked morning,

the plants to mold
the stroke of the winding trajectory.

You are bigger since you faded,
half-armed,
deszmáyor, ez a derék,
tongue in dismay,

return,
the day begins.

The gear isn’t desperate,
death doesn’t awake,
denial is not revealed.
In its land, the shadow
is consecrated, undone in storm.

Matrevium derrecto sódropo sopor
ecto soporis matrevium exto
derrecto ópdria ecto optum
ecto soporis celo manejo erra manecto

manecta – what do I bring far from me?
All around, the burnt ones long for each other.
See the temples, marked.

Red a planet arose
among seven earths.

In the desert the day begins.
Our land is arisen.

The whole death is my sister,
love is done in her winds.

 

CASA

Não sustenta o suor a casa,
mas o sangue. Erguida em guerra,
aberta, é uma trincheira.

Gangrena é a casa,
muro rubro para fora
muros dentro.

Muitas cores tem o peito.
Para fora, uma.
Todas se revelam dentro.

Os dias se sucedem –
braço armado da mulher
se levanta
e não encontra negação.

Um cachorro persegue
da cama à planície, ao vento,
retalho desintegrado
da duração.

A noite retorna diferida,
busca se repete
em seu seio,
não se encontra negação.

Distraíste-me com tuas imagens,
não vi mudar o céu.
As coisas de comer caíram das mãos,
triste, a visão da comida derramada.

A carne no chão desvia-me,
não vejo mudarem as rotas,

tu, sol na terra enquanto duras,
depois ardes, és reversa, saudades.

Erramos com o circulo
espalha-se dele a curva,
não a caminhada

tudo dilacera
quando agarra
o lado certo,
tudo dilacera.

 

HOUSE

Sweat can’t bear the house
but blood. Built in war,
open, it is a trench.

The house is gangrene,
red walls outwards
walls inside.

The heart has many colors.
Outwards, one,
All are revealed inside.

The days go by –
the armed arm of the woman
arises
and finds no denial.

A dog chases
from bed to the plains, in the wind,
disintegrated rag
of duration.

Differed the night returns,
the search is repeated
in its bosom,
no denial can be found.

You distracted me with your images,
I did not see the sky changing.
The food fell from the hands,
sad, the view of spilled food.

The flesh on the floor leads me astray,
I don’t see the ways changing,

you, sun on the earth while you last,
and sear, you’re reversed, longing.

We erred with the circle,
its curve is spread,
there is no walk,

everything shreds
when grasping
the right side,
everything shreds.

—translated by rodrigo bravo